Grace (1994)

Um clichê só é um clichê por conter alguma verdade naquilo que representa, e quando me deparo com aquele clássico do “que disco tu escolheria se pudesse ouvir apenas aquele até o fim da vida” (às vezes é a versão da ilha deserta), minha resposta é sempre a mesma, simples e direta: Grace (1994), do Jeff Buckley.

Quando falo de Grace pra alguém que ainda não conhece o disco, gosto de evitar alguns atalhos que seriam justificativas suficientes pra muita gente pra ouvir o disco: que Jeff era filho do Tim Buckley, que grace influenciou bandas como Radiohead, Coldplay e Muse, que Jimmy Page é fã do disco (e do Jeff), e que o disco tá sempre nas listas de melhores álbuns da história. Eu penso que esse tipo de coisa pode tirar o foco do que realmente importa: a música de Jeff. Ela é maior do que qualquer um desses fatos.

Poucas vezes ouvi artistas que conseguissem arrancar melodias tão dolorosas de uma guitarra e tivessem o poder de me paralisar por completo como acontece em cada um das dez faixas de Grace. Toda vez que coloco esse disco pra tocar, me nego a parar de ouvir pela metade: é uma obra inteira, e merece ser ouvida inteira. É o disco perfeito pra deitar no chão, com a capa do vinyl na mão, do lado de quem a gente ama, e sofrer com a voz pesada e a guitarra sofrida de Jeff. Essa inclusive é a minha memória mais afetiva com esse disco.

A grandeza de Grace, o único álbum lançado em vida por Jeff, é indescritível. Das dez faixas da versão original, sete são de autoria própria, e as três releituras se transformaram em versões definitivas. Hoje, quando penso em Hallelujah, não é a versão original de Leornad Cohen que me vem a mente, mas a guitarra nítida de Jeff anunciando alguns dos versos mais emotivos da história do rock.

A banda que foi a estúdio para a gravação do disco era composta por Matt Johnson (bateria), Michael Tighe (guitarras) e Mick Grondahl.

A turnê de lançamento de Grace durou de 1994 a 1997, e foi interrompida junto com a carreira e a vida de Jeff logo após ele entrar nas águas do rio Wolf, em Menphis, Tennessee, enquanto cantava Whola lotta love. E embora seja muito tentador, não gosto desse exercício de imaginar “tudo o mais que ele poderia ter feito se tivesse continuado vivo”. Penso que ele já fez tudo. Poucos artistas, mesmo com décadas de carreira e dezenas de álbuns, chegam perto de Jeff, e nenhum deles mexe tanto comigo quanto ele.

 

 

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